Por que importa

O centro nos Everglades virou referência da política migratória mais dura dos últimos anos. Um eventual encerramento afetaria a logística de detenção de imigrantes na Flórida — incluindo brasileiros — e abriria discussão sobre para onde os detidos seriam transferidos.

Autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) concluíram, em avaliação interna, que o custo operacional do centro de detenção apelidado de Alligator Alcatraz — instalado em região remota dos Everglades, na Flórida — é "alto demais para justificar a operação contínua". A informação foi divulgada por reportagem de veículo nacional na noite de segunda-feira, com base em conversas entre autoridades estaduais e federais.

Em coletiva curta a jornalistas em Tallahassee, o governador Ron DeSantis reconheceu a existência das tratativas, mas afirmou que "nenhuma decisão definitiva foi tomada" e que o estado da Flórida "fará a sua parte" caso o governo federal opte por encerrar a instalação. Procurado pelo Diário Brasil USA, o DHS não respondeu até o fechamento desta matéria.

O que é o "Alligator Alcatraz"

A instalação foi montada às pressas em 2025 em uma área isolada dos Everglades, distante de núcleos urbanos e cercada por canais — daí o apelido, que faz referência tanto ao habitat de jacarés quanto à famosa prisão californiana. Foi anunciada como solução de baixo custo para abrigar imigrantes detidos enquanto aguardavam audiência ou remoção.

Desde o primeiro mês, advogados de imigração e organizações de direitos humanos denunciaram dificuldades de acesso, calor extremo nas instalações e isolamento dos detidos em relação a famílias e advogados. O centro virou símbolo da política migratória mais agressiva da atual administração — e ponto recorrente de disputa judicial.

Ron DeSantis em coletiva, com chyron de BREAKING NEWS ao fundo
O governador Ron DeSantis (R-FL) em coletiva sobre as tratativas com o governo federal · Foto: NBC6 / reprodução

Por que o DHS quer fechar

Segundo as fontes citadas na reportagem original, três fatores pesaram na avaliação interna do DHS:

  • Custo por detento. O isolamento geográfico encarece transporte, suprimentos e revezamento de pessoal.
  • Litígio recorrente. Ações judiciais sobre condições de detenção têm consumido tempo e recursos jurídicos do governo federal.
  • Capacidade ociosa em outras instalações. Centros tradicionais em Texas, Louisiana e Georgia têm vagas e custo operacional menor por leito.

O que muda para brasileiros detidos

A Flórida concentra uma das maiores comunidades brasileiras dos EUA. Embora não haja número oficial de brasileiros atualmente no centro, advogados de imigração ouvidos pelo Diário relatam ter clientes transferidos para a instalação ao longo do último ano.

"Para quem está lá dentro, a maior preocupação não é se o centro fecha, mas para onde a pessoa é transferida. Transferência entre estados costuma quebrar continuidade com o advogado e atrasar audiência."
— Fonte ouvida pelo Diário Brasil USA

O que dizem DeSantis e o governo federal

DeSantis defendeu publicamente a instalação desde a abertura, classificando-a como "modelo eficaz" de detenção. Nesta semana, porém, evitou comprometer-se com a continuidade do centro: "É uma decisão do governo federal. A Flórida cumpriu seu papel ao ceder o terreno e dar apoio logístico". Republicanos da base de DeSantis no estado defendem manter o centro aberto como sinal político.

Já no Congresso, parlamentares democratas que visitaram o local nos últimos meses passaram a pressionar o DHS por encerramento — citando relatórios independentes sobre condições sanitárias e acesso a representação legal.

O que ainda não está claro

Não há cronograma público para uma eventual decisão, nem detalhamento sobre o destino dos detidos. O DHS também não confirmou se a avaliação interna implica fechamento total ou apenas redução de capacidade. O Diário Brasil USA segue apurando.

Matéria em desenvolvimento: esta reportagem é atualizada à medida que novas informações são confirmadas com fontes oficiais. Saiba mais.

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